A noite , a lua arábica e o cheiro dos fantasmas leprosos...
Tão temidos, tão amaldiçoados, tão necessários,
Eles, eles , caminham trêmulos, à luz de velas acesas
Rezadas para lhes diluir.
A lembrança dilói
O cheiro dilói
A goiabeira dilói
Dilói a impotência.
Ao amanhecer os fantasmas sentem vigor,
Não são mais amaldiçoados,
Não trazem mais maus agouros.
Ao amanhecer
Os fantasmas sentem vigor.
Não são mais má notícia
Não mais existem no além.
E você pode nadar nu.
Flávia R LIma
Jasmim e os Doze Gumercindos
domingo, 27 de agosto de 2017
terça-feira, 10 de junho de 2014
Sou órfã
Sou
Órfã
Flávia
Rocha Lima
Minha
avó fez o croché
E
minha tia remendou os detalhes
Fui
daqui prali
Sem
nome
Sem
sobrenome
Tirei
agulhas de sorrisos
Ao
continuar remendando as vestes
Ainda
agora
Me
chamam de veludo
Sou
desbotada
E
seca como o cerrado
Meninos
lobos sentem meu colo
F.
R. L.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Para
Alexandre Camargo Pacheco
Vai,
meu anjo louro,
Bata
os braços, força!
O
deslumbramento
Está
muito mais perto do que imagina!
Vá,
bata os braços com força,
Deixe
seu corpo sentir o prazer de ser eterno...
Já
não mais é o afogado
Vá,
bata suas asas...
Chegou!
Sim,
é sua vida!
Vai,
Pégaso, voa livre!
Sim,
esse mundo lindo
É seu!
domingo, 11 de maio de 2014
Inamissível
Amor
Cala
em meus braços
O
sonhado encontro som os seus,
Seca
em minhas mãos
O suor que lambuzaria as suas,
Guardo
entre naftalinas
O
vestido som os quais dançaria o amor.
Meu
adeus
Está
acompanhado de flores,
Cachoeiras
e libélulas ferozes!
O
que senti, por ter sido fecundo,
De
mim efluirá
E
encontrara a alma de algum disperso,
Viverá
em outro corpo,
Dançara
em outras luas,
Incapaz
de fenecer.
Aos
amantes faustos
A
lascívia com a qual,
Excitada,
Lhe ofereceria o suco do meu sexo!
Lhe ofereceria o suco do meu sexo!
XXXIX
Tesouras
brancas
Cortam
em pedaços
Minha
musa de veludo.
Brancas,
Por isso impunes,
Por isso impunes,
Rasgam
o vermelho ofendido
Daquela
que já foi maciez e nostalgia.
Um
barulho indecente,
O
toque do aço com o tecido!
As
mãos não são minhas,
Só
os ouvidos incrédulos!
Um
dia houve sol,
Amantes
faustos de calor alheio,
A
mulher penetrada por cães
E o
rio frio que parecia eterno!
Vejo
cabeças decepadas
e a guilhotina abjeta
Alheia
ao serviço que exerce.
XXXVIII
Um
dia antes de um ano,
Velas
içadas no porto do meu coração!
Este
assistindo impotente
O
espetáculo de sua eterna partida.
Quando
aqui chegou
Meus
chalés cheiravam a mofo
E os
meus lábios estavam cobertos por teias
Há
muito e sempre tecidas.
Meu
corpo magro
Era
uma flor de paineira,
Dissolvendo
nos tempos
Uma
onça drogada,
Minhas
anáguas amarelas
Cheiravam
a urina,
Incontinência
de quem
Há
muito deixou o baile.
Tão
solitária,
Por
companhia espelhos seculares
Que
deformavam o reflexo.
Tão
só e tão aflita
Que
não me dei conta de seu nome
Sussurrado
em meus ouvidos.
Mesmo assim,
A
desbotada saia vermelha sangrou luz
E um
fogo, há muito extinto,
Aqueceu
minhas pernas,
Decrépitas, saudando o sol
Que
me violentou a escuridão!
XXXVII
A
noite cai,
Negra
defunta, encobrindo os jasmins
Com
o cheiro adocicado dos mortos.
Meus
cabelos anelados
Sonhavam
varandas e redes,
Eu
estaria entre os vãos dos seus pensamentos
E
sua mão
Afagaria
os parasitas da minha cabeça.
Guardo
guardadamente
O
anel que tu me deste,
Não
era de vidro
Brilha
em sentimentos prismáticos
No
interior de minha geografia.
Queria
te mostrar a serra dourada,
A
cachoeira da andorinha,
Minha
filha loura!
Insatisfeita,
Almejo
uma tarde qualquer
Em que contaremos nossos nomes.
Assinar:
Comentários (Atom)