domingo, 11 de maio de 2014

XXXIX

Tesouras brancas
Cortam em pedaços                     
Minha musa de veludo.
Brancas,
Por isso impunes,
Rasgam o vermelho ofendido
Daquela que já foi maciez e nostalgia.

Um barulho indecente,
O toque do aço com o tecido!
As mãos não são minhas,
Só os ouvidos incrédulos!

Um dia houve sol,
Amantes faustos de calor alheio,
A mulher penetrada por cães
E o rio frio que parecia eterno!

Vejo cabeças decepadas
 e a guilhotina abjeta
Alheia ao serviço que exerce.  

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