domingo, 11 de maio de 2014

CHOVE

Meu coração vazio, exposto,
É uma dessas arvores
Recebendo passivamente a chuva fria.

Toda a cidade, todo o mundo
Tornou-se o cinza dorido.

A chuva cairá durante todo o dia,
Meu coração sentado em alguma pedra, exposto,
A receberá como a inevitável realidade.

São árvores, são águas, são pingos,
São as ruas desertas e o vento...

A noite que demora,
A lua que não vem!

O instante é implacável,
 Tem o sabor da eternidade...
O coração encharcado,
Tremulo,friorento, adormece...
Ao longe os trovões falam de terras distantes,
De Pasárgada,
De mosteiros seculares
Onde vagueiam morcegos...

Hoje poderia ter feito sol
E não haveria no ar
Esse sentimento de renuncia,
Nem esse cinza que me  estraga as vistas

Um dia houve um rei,
No alto de seu castelo,
Na parte mais escura,
Sonhava lendas...
De tanto as sonhar
Tornou-se uma.

O velho rei, a velha lenda dos dias de chuva...

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