domingo, 11 de maio de 2014

XXXIV

Tive um sonho,
Sonhei com uma enorme lua azul.
Esta desceu dos seus
E me contemplou de frente.
Dela só restaram seus olhos alumbrados...
Como crias ou sementes
Esses dois viveram em mim,
Fizeram casa em minha virilha
E no meu útero
Construíram um castelo.
Eu me tornara o país da lua azul,
 Esta rodopiando sem nunca se encontrar,
Perdida em seu  eterno desassossego...
Havia montes frios,
Mares gelados em suas costas,
Homens peludos
Construindo embarcações
Com madeira de árvores
Que nunca sentiram a luz.
Peludos, fortes, balbuciando
Uma língua primitiva
Desprovida de fonemas.
Reinaram despoticamente
Na ignorância daquela abestalhada procura
E foram estes homens
Que um dia entraram pela minha goela,
Destruindo o exílio

Daquela que um dia amei!

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