domingo, 11 de maio de 2014


Missa de Réquiem

Ontem eram flores amarelas,
Hoje, no vaso,
São fantasmas murchos
Absorvendo águas fétidas.
Por que morrer?
Para que renascer
Se já eram renascidas?

As páginas viram,
O livro é o mesmo.
As estações são deusas vadias
 Que amassam destinos.

Chove uma chuva forte...
Meu coração recebe todas as enxurradas,
Num espasmo arreganha aboca
 E abocanha todas as nuvens,
Que existem e existirão!

Mas tudo é ilusão!
Na verdade
Ele está sob uma sombra fresca
Sonhando pequis.

Despeço-me dos túmulos da minha infância,
Das sepulturas sedutoramente antigas.
Eu era menina e rezava tanto...
Minhas mãos tornaram-se terços esquecidos
Em gavetas escuras
E meus olhos
As torres das igrejas
Onde as pombas fazem seus ninhos.

Hoje, não sou mais...
Eu era

Muito aquém.

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