domingo, 11 de maio de 2014

XXXV

A lua que te trouxe
Contou-nos histórias antigas.

Falou-nos do poeta tísico,
Que nas noites escuras
 Assombra os becos
Com as mãos manchadas de sangue e poesia...

Sobre à casa abandonada ,
Onde velhos frascos de perfume
Alucinam os que ali pernoitam...

Das histéricas virgens mortas
Que com seus longos cabelos
Enforcam os incautos...

Juntos ao pé do fogão,
Trêmulos e abraçados,
Vimos surgir, por século ocultas,
Vozes aveludadas daqueles que já não possuem rostos...


Quando o sol desabrochou!
O rio, a pedra, o vento...
Eu já poderia virar sereia

Diante dos seus olhos crédulos
E sua voz tornara-se um violino
Ao qual não pude resistir.

Agora, indiferente as manhãs que urdem lá fora,
Meu corpo sonha

O rio, a pedra, o vento...

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