domingo, 11 de maio de 2014

XXXVIII

Um dia antes de um ano,
Velas içadas no porto do meu coração!
Este assistindo impotente
O espetáculo de sua eterna partida.
Quando aqui chegou
Meus chalés cheiravam a mofo
E os meus lábios estavam cobertos por teias
Há muito e sempre tecidas.
Meu corpo magro
Era uma flor de paineira,
Dissolvendo nos tempos
Uma onça drogada,
Minhas anáguas amarelas
Cheiravam a urina,
Incontinência de quem
Há muito deixou o baile.
Tão solitária,
Por companhia espelhos seculares
Que deformavam o reflexo.
Tão só e tão aflita
Que não me dei conta de seu nome
Sussurrado em meus ouvidos.
 Mesmo assim,
A desbotada saia vermelha sangrou luz
E um fogo, há muito extinto,
Aqueceu minhas pernas,
Decrépitas, saudando o sol

Que me violentou a escuridão!

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