CHOVE
Meu
coração vazio, exposto,
É
uma dessas arvores
Recebendo
passivamente a chuva fria.
Toda
a cidade, todo o mundo
Tornou-se
o cinza dorido.
A
chuva cairá durante todo o dia,
Meu
coração sentado em alguma pedra, exposto,
A
receberá como a inevitável realidade.
São
árvores, são águas, são pingos,
São
as ruas desertas e o vento...
A
noite que demora,
A
lua que não vem!
O
instante é implacável,
Tem o sabor da eternidade...
O
coração encharcado,
Tremulo,friorento,
adormece...
Ao
longe os trovões falam de terras distantes,
De
Pasárgada,
De
mosteiros seculares
Onde
vagueiam morcegos...
Hoje
poderia ter feito sol
E
não haveria no ar
Esse
sentimento de renuncia,
Nem
esse cinza que me estraga as vistas
Um
dia houve um rei,
No
alto de seu castelo,
Na
parte mais escura,
Sonhava
lendas...
De
tanto as sonhar
Tornou-se
uma.
O
velho rei, a velha lenda dos dias de chuva...